quinta-feira, dezembro 01, 2005

Lélia Abramo


Em 2001 tive a oportunidade de conhecer a eterna Dama do Teatro Brasileiro, a atriz Lélia Abramo. Neste encontro passamos uma tarde juntos onde tive grande aproveitamento para a minha vida profissional e pessoal, ela assistiu um ensaio aberto do nosso espetáculo “O Buchicho” e num momento após o ensaio ela pediu que eu a ajudasse a subir no palco e lá ela ficou observando o lugar, caminhando de forma dificultosa, segurando em meus braços e de repente parou, olhou para mim, e eu que já estava emocionado fiquei mais ainda em olhar seus olhos brilhando, talvez passava em sua mente tantas recordações de momentos maravilhosos que o palco tinha proporcionado a ela, e eu tentava buscar em sua mente a luz que refletia em seus olhos, então ela me disse:”Um ator nós reconhecemos no palco. É aqui que ele mostra ser ator, e não no dia-a-dia, somente aqui.” E não disse mais nada, desci do palco com ela, ela me agradeceu e essa frase não saiu nunca mais de minha memória. Dois anos depois a reencontrei numa palestra na cidade de Araraquara SP no centenário de seu irmão Lívio Abramo, e nesta palestra ela disse que seu maior sonho era voltar aos palcos, infelizmente isso não aconteceu.

Lélia Abramo era filha de imigrantes italianos. Estreou nos palcos aos 47 anos, na peça “Eles Não Usam Black-Tie” (58) a primeira montagem de Gianfrancesco Guarnieri, contracenando com os atores, Milton Gonçalves e Eugênio Kusnet.
Entre 1938 e 1950, morou na Itália e sofreu as agruras da época da Segunda Guerra Mundial, quando testemunhou dramas coletivos (bombardeios, comida racionada, suspensão da liberdade de ir-e-vir)
Atuou em peças de cunho dramático e trágico, de Aristófanes (“Lisístrata”) e Shakespeare (“Ricardo III”) a Lorca (“Yerma”) e Brecht (“Mãe Coragem”), passando por Beckett (“Esperando Godot”) e Ionesco (“Os Rinocerontes”).
Participou de 27 novelas (Excelsior, Tupi, Record, Globo e Manchete) e 14 filmes. Fez mais de 40 teleteatros. Em 1978, Lélia presidiu o sindicato dos artistas em São Paulo e saiu a defesa dos direitos trabalhistas da classe, enfrentando a própria emissora na qual trabalhava, a TV Globo.
Morreu aos 93 anos no dia 09 de Abril de 2004.

In Memorian a Primeira Dama Do Teatro... meus aplausos a Lélia Abramo

Por Lell Trevisan