domingo, janeiro 01, 2006

Agreste




No inicio de 2005 pude conferir o espetáculo “Agreste”, ganhadora dos prêmios Shell e APCA de melhor texto. Um espetáculo maravilhoso e “simples” no que diz respeito a recursos cênicos. Os atores Paulo Marcello e João Carlos Andreazza iniciam este magnífico trabalho imóveis diante de microfones, isso para preparar o público para a história de afinidades entre dois lavradores separados por uma comprida cerca, a montagem do professor Márcio Aurélio para o texto do recifense Newton Moreno acumulou mais e mais elogios da crítica a cada apresentação. Transmitem serenidade em causos que remetem à mitologia do sertão. Aos poucos, passam de narradores ao revezamento de personagens, sempre em tom épico, mas de diálogos breves, simples, puros. Uma encenação que envolve sem abrir mão de sua sofisticação. Os atores interpretam, e narram ao mesmo tempo, a história de um casal de lavradores do Nordeste que, apaixonados, fogem para ficar juntos. Mas a morte do marido traz para a esposa, além da natural tristeza, uma revelação que, se de um lado aumenta ainda mais seu sofrimento, amplificado pela intolerância da sociedade em que vive, de outro fortalece o sentimento livre de preconceitos que nutre pelo amado. É realmente um espetáculo que nos leva a refletir e viver momentos de catarse.

“A identificação do público com “Agreste” se deve bastante à atração pelo universo nordestino, mas não se limita a ela”, avalia Newton.
“O “Agreste” é meu passaporte para buscar as raízes, os ancestrais, minha terra natal, ainda obviamente ligado a um registro homoerótico. Este 'regional' evolui para meu próximo trabalho, “Assombrações do Recife Velho”, adaptação de um livro de Gilberto Freyre.” Diz Newton numa entrevista a Aplauso Brasil.

Meus aplausos a um trabalho sério e de grande profissionalismo!

Por Lell Trevisan