sexta-feira, janeiro 13, 2006

Então Nasceu o Teatro...


No dia 7 de janeiro fui convidado por um diretor carnavalesco para o aniversário da escola de samba Unidos de Vila Maria, com um show de Jorge Aragão. Pude relatar uma verdadeira festa, daquelas que faziam quando o teatro nascia. Lá de cima do camarote vi em meio a multidão, mais ou menos 4 mil pessoas, o verdadeiro agir artístico: Dança, Teatro, Música, Poesia se misturavam no agir “comum” de cada um. Era a primeira vez que pisava numa quadra de escola de samba, mas a energia artística essa eu já sabia bem o que era e sabia que ela estava lá. O pai do Teatro de Rua Amir Haddad disse na Mostra de 2005 em Paraty que depois de ver um ensaio de escola de samba mudou sua forma de ensaiar, e nos provou isso nos dirigindo numa apresentação com todos os grupos na Mostra usando de ritmos e nós atores tínhamos liberdade de criação assim como acontece nas quadras. Parecia que ali surgia a verdadeira arte, aquelas que os estudiosos não puderam estudar e que nenhuma teoria teria alcançado. Uma senhora da terceira idade deu um show na dança e os amigos num grande círculo misturaram seus aplausos aos músicos e a ela. A cumplicidade uns aos outros, a amizade no olhar, a alegria nos pés, a paz em cada grito, o ritual das bandeiras, o respeito e a admiração aos mais velhos (os sábios), os figurinos das baianas e o glamour dos mestres-salas e porta bandeiras, tudo muito simples, mas numa energia grandiosa que nos mostra um fazer artístico diferenciado. O teatro surgiu através das festas onde misturavam a música e a dança, e toda liberdade era concedida aos “artistas” festeiros, e o teatro é (ou deveria ser) uma grande festa, sempre! Onde nossos conhecimentos seriam acima de técnicas, estudos, teorias, e sim no caráter humano. Uma criação completa que mistura todo o tipo de pensamento. Existe uma frase que diz: Viva o Teatro! Viva! Enquanto houver o ator. Eu diria: Viva o Teatro! Viva! Enquanto houver a alegria, a paz, o respeito, a cumplicidade, a liberdade de criação e de expressão, o amor incondicional pelo ser humano, e o bom caráter. Porque um ator se faz de cada um destes itens. Ter o teatro com todo respeito sim, mas não enquadra-lo, pois o teatro não é nada mais do que uma grande festa. Viva o Teatro!

Na foto: Eu em Paraty

Por Lell Trevisan