terça-feira, fevereiro 14, 2006

Esperando Godot


foto de cima: Magali Biffi, Vera Zimmermann, eu, Bete Coelho, Lavinia Pannunzio e Nanda Rovere.

Foto: Eu e o ator Claudio Fontana
Foto: Nanda, Gabriel Villela e eu.










No dia 31/01 estive junto com a jornalista Nanda Rovere e a atriz Juliana Azevedo na coletiva de Esperando Godot no SESC Belenzinho, com o diretor Gabriel Villela, as atrizes: Vera Zimmermann, Bete Coelho, Lavínia Pannunzio, Magali Biff e até o ator Cláudio Fontana e o escritor Sergio Roveri (escritor da peça “O Funil do Brasil”) estiveram lá para prestigiar o amigo Gabriel. E no dia 05/02 tive o prazer de assistir o espetáculo “Esperando Godot” de Samuel Beckett autor irlandês que completaria um século este ano.
Villela utilizou da inspiração da cultura barroca, e o mesmo utilizou do clichê revisando a gramática cênica e não submeteu o óbvio, mas se adequou, utilizando a temática de Guimarães Rosa. Usando então a aridez do espaço e do personagem para compor o espetáculo.
O pensamento, o raciocínio vem depois e não na hora. O olhar é de instante, um olhar de perplexidade, direto e sem máscaras.
A música entrou por paradoxo (silêncio e música) como uma necessidade para sublinhar o desamparo dos personagens. Definem que Beckett não tem eloqüência, mas o silêncio que usa em “Esperando Godot” é de uma eloqüência admirável.
Gabriel define como um novo tempo, pois até hoje regia estética da humanidade. Os personagens estão estressados e os quatro são a síntese da humanidade pós-guerra, são protagonistas e antagonistas ao mesmo tempo. (dominados)
A atriz Lavínia Pannunzio, assim como todas fizeram um trabalho de texto analisando frase por frase. Mas permaneceu íntegro a tradução do tradutor de Becckett e professor de literatura da USP Fábio de Souza Andrade mudando pequenas palavras.
Para a concepção de montagem:
Utilizou de arquétipos mais no sentido de utilização dos padrões universais, trabalho lírico usando a máscara neutra, largou o urbanismo para utilizar a natureza. Experiências e ensaios no curral do sítio de Gabriel no meio de bichos e insetos para a criação da personagem. A recuperação do instinto foi essencial para o trabalho de criação.
A atriz Bete Coelho se caracteriza como uma pessoa completamente urbana e diz de momentos incríveis que teve que passar no meio da natureza como por exemplo: falando seu texto, se vira para ir embora e cai de costas no meio da lama e percebe que a partir daquele momento ela estava pronta para trabalhar o neutro.
Falaram de como foi o processo de trabalho de clown, não fizeram uma pesquisa em cima disso, pois o diretor Villela vai passando por fases e as conseqüências do trabalho vêm naturalmente. Criação Coletiva: dá-se o máximo e depois lapida, limpa! Esta é a forma que Gabriel Villela trabalha.
O espetáculo está realmente maravilhoso, ele nos eleva a um ponto de reflexão, trazendo à tona sentimentos capazes de aguçar nossos sentidos. O lugar é perfeito (parece um poço redondo, sem saída a não ser pela escada, este poço fica no porão do SESC. Um lugar rústico onde até as cadeiras fazem parte do cenário). O Gabriel e as atrizes são fantásticos e muito simpáticos ... Um espetáculo contemporâneo, de rua, clássico, erudito, popular... indefinível, porém definidora!

Esperando Godot escrita em 1948, a peça é um clássico da dramaturgia mundial, que mistura comédia, humor fino e uma pungente imagem do destino humano. Nessa obra, dois vagabundos, Vladimir e Estragon, esperam em vão a chegada de um personagem enigmático, Godot, símbolo do inalcançável. Atualidade social, metafísica e uma comicidade ácida tornam “Esperando Godot” um grande espetáculo popular.

De 3 de fevereiro a 26 de março de 2006
Sextas, sábados e domingos, às 21 horas no SESC Belenzinho.
Tel. 11 6602-3700

CRÍTICA OU DESRESPEITO?
O "crítico" Sérgio Coelho em seu texto: "montagem pueril, Godot de Villela cansa” publicada em 08 de fevereiro na Ilustrada, faz uma desrespeitosa crítica sobre Esperando Godot, incrível que ainda fala em seu texto da impaciência do público e dos acentos incômodos, eu assisti o espetáculo no mesmo dia que Sérgio e não vi impaciência de público, o meu assento não estava desconfortável, não vi Bete Coelho com trejeitos de marionete, nem Lavinia como mais um palhacinho, nem mesmo Biff como uma criança mais velha e nem Zimmermann ofuscando seu monólogo numa piada fácil de sua respiração como diz na sua “crítica”, mas vi uma verdadeira aula de interpretação e uma direção magnífica, não sou nenhum crítico (e para fazer trabalhos assim prefiro nem ser) mas sou um ator, o crítico pode ter sua teoria, mas o ator tem o que há de mais importante para um Teatro, o poder lúdico. Mas o que vi mesmo foi o Sérgio com um olhar de repreensão, como se cada gesto ali representado ele demonstrava no olhar o “erro”. Li o que o Prof. Dr João Carlos Gonçalves escreveu: “Esperando por uma crítica mais respeitosa” e concordo com tudo o que foi escrito. “Parece que toda esta poesia se perdeu na inquietação do crítico, que gostaria, talvez, de uma poltrona estofada e bem confortável para destilar seus impropérios” fala o Prof. Dr João C. G. em sua carta. Após o espetáculo na saída acabei ouvindo comentários das pessoas que estavam na platéia, e todos saíram do teatro maravilhados assim como eu. Ao Gabriel Villela e a essas atrizes magníficas Meus Aplausos!!!!


Por Lell Trevisan