sábado, março 25, 2006

A Mulher do Trem


No dia 17 de março estive na reestréia da peça “A Mulher do Trem” no Teatro Augusta com o grupo Os Fofos Encenam que traz de volta para São Paulo esta linda comédia que resgata a tradição dos espetáculos de circo-teatro. Estavam presentes vários artistas para prestigiarem este trabalho encantador, e mais uma vez tive a honra de encontrar a atriz Rachel Ripani. A peça na direção de Fernando Neves já passou por mais de 20 cidades para um público de quase 50 mil pessoas.

Escrita por Maurice Hennequin e George Mitchell, a peça tem como cenário a sala de visitas de uma casa da classe média carioca, pela qual desfilam todos os personagens típicos da dramaturgia da época: a sogra ditadora, o pai acuado e libertino, o galã, a ingênua, o amigo bêbado e sua esposa que o trai e é traída, a prostituta de luxo.

No dia do casamento dos personagens centrais, o noivo, mais velho do que a noiva, aconselha o sogro a ser mais enérgico no seu casamento, porque considera a sogra uma ditadora. Ele conta também suas aventuras de solteiro, enfatizando o caso que teve com uma mulher misteriosa, em um trem que fazia o percurso Rio-São Paulo. Ele revela que essa mulher sempre foi um mistério em sua vida, pois nunca chegou a ver seu rosto, já que ela usava, durante a viagem, um chapéu com uma redinha de tule. A sogra, que ouve tudo escondida, planeja uma vingança: depois da cerimônia, ela revela ao genro ser ela a mulher do trem, e que sua única filha é fruto daquele encontro. O conflito está armado, pois estamos diante de um caso em que o marido pensa ser pai da esposa.




A montagem está maravilhosa, eu particularmente adoro esse estilo de trabalho numa interpretação farsesca que nos lembra a “arte popular” como o teatro de rua, que tem o poder de transformar pessoas e o resgate do circo-teatro. Cada personagem tem sua partitura corporal, uma ação dramática que pouco vemos hoje em dia nas montagens teatrais que muitas vezes se perde no “fazer por fazer” ou “agir por agir” sem encontrar o seu “porque”. Ação dramática não está na ação cotidiana (que muitos atores fazem esta idéia equivocada na leitura do mestre Stanislavisk). A ação dramática está no encontro ou na junção entre o “movimento” e seu “porque” mesmo que muitas vezes não passadas ao público, mas sentidas pelo artista. Todos estão de parabéns em especial o diretor Fernando Neves que numa conversa disse estar muito contente e satisfeito com este trabalho. Não percam!!!


Local: Teatro Augusta até 09 de abril de 2006
Datas: sexta às 21h30; sábado às 21h; domingo às 19h

Não percam em breve aqui neste blog textos sobre a peça “O Rim” com Carolina Ferraz, “O Pequeno Príncipe” com Luana Piovani, ”Um Homem é Um Homem” Grupo Galpão e Bate Papo com Marco Nanini.

Por Lell Trevisan