sexta-feira, março 10, 2006

TEATRO Em Cena!



Inicio este texto dizendo da importância do teatro em nossas vidas e tudo que ele pode propiciar a nós! O teatro nos leva ao lúdico, fazendo-nos estar sempre em descoberta, compreendendo o mundo onde vivemos, fazendo-nos a viver fantasias, acreditar no inacreditável, podendo muitas vezes voar ou nos ver como uma criança e sentir sentimentos que não sentimos há tanto tempo, rir, chorar, viver, morrer, ter esperanças, acreditar num mundo e num ser humano que muitas vezes não acreditamos... O teatro é a fonte da vida, da juventude eterna, de um amor sublime. O teatro é a forma que Deus encontrou para sabermos que Ele está entre nós!
Stanislavisk diz que muitas pessoas vão ao teatro a procura de respostas para seus problemas (mesmo que inconscientemente) e se este público encontrar o que foi buscar aprenderá a amar o teatro e o aceitará como uma coisa própria. Os atores para fazer seu verdadeiro trabalho de idéias da peça exigem de si amplo e variado conhecimento, constante autodisciplina, a subordinação de seus gostos e hábitos pessoais às exigências da idéia e algumas vezes também certos sacrifícios. Venho através de palavras não como escritor, não como crítico de teatro e nem mesmo como um jornalista, mas aqui descrevo meus sentimentos e modo de ver e pensar como um ATOR.

Abaixo estarei falando dos espetáculos que vi no dia 04 de março junto com a jornalista Nanda Rovere: “Teresinha e Gabriela Uma Na Rua e Outra Na Janela”, “Vamos?” e um grande espetáculo “A Entrevista” com Ligia Cortez.

Teresinha e Gabriela Uma Na Rua e Outra Na Janela
Pela manhã no SESC Consolação assisti a estréia do primeiro musical infantil do Teatro das Epifanias da Cooperativa Paulista de Teatro na direção de Wilma de Souza baseada na obra “Teresinha e Gabriela” original de Ruth Rocha na dramaturgia do Evil Rebouças a peça: ¿Teresinha e Gabriela ¿ uma na rua e a outra na janela¿. A peça encenada através de uma contação fala de um assunto muito importante na infância: a questão de querer ser sempre igual ao outro, deixando de lado seus valores, amigos, suas felicidades para tentar viver uma outra forma, mesmo que essa te deixe triste e sem suas alegrias! Nos divertimos com as personagens ¿TERESINHA¿ (Yael Pecarovith) e ¿GABRIELA¿ (Lilih Curi) e os dez bonecos que ganham vida nas mãos do contador de histórias (Marcelo Galdino). Os bonecos desta encenação foram especialmente confeccionados pelo artista plástico Sérgio Esteves, ambientando um universo lúdico que, aos poucos, vai revelando as diferenças entre as duas meninas que não se conhecem e que alimentam uma mútua antipatia entre si por terem hábitos opostos. Com o auxílio das personagens Lua, Sol, Gato e Cachorro, entre outros, ¿TERESINHA¿ e ¿GABRIELA¿ descobrem a importância de conviver e aceitar as diferenças

A peça está muito bem feita, seu cenário é bem parecido com cenários de teatro de rua, os atores fazem um excelente trabalho de interpretação e um trabalho corporal perfeito.

Temporada: de 04 de março a 29 de abril - sábados às 11 horas e 21 de abril (feriado) - sexta às 11 horas Local: Teatro SESC Anchieta - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Centro - SP. Grátis - Retirada de senha com 1 h de antecedência na bilheteria. Informações: (11) - 3234 3000

Do original de RUTH ROCHA / Dramaturgia: EVILL REBOUÇAS Direção Artística: WILMA DE SOUZA Letras, Músicas & Direção Musical: GILDA VANDENBRANDE Elenco: LILIH CURI, MARCELO GALDINO e YAEL PECAROVICH


Vamos?
Á tarde estive no SESI Paulista no Cena Livre edição Paulista com a peça “Vamos?” de Mário Viana, a quem fui apresentado por Nanda Rovere após o espetáculo. Na direção de Alessa Hungria, uma garota que além de linda, atenciosa e educada é madura nas suas escolhas profissionais que, ao lado de 11 atores que se revezam seus pares a cada cena, fazem um lindo trabalho. “Vamos?” é um convite a entrar nos nossos mais íntimos desejos, a percorrer um labirinto de vontades, incertezas e paradigmas. Pessoas, homens, mulheres se denunciam e se escondem num constante jogo de armar e desarmar situações, preconceitos de práticas sexuais, de constituições de casais, de papéis na sociedade, de opção sexual, de fidelidade ao pensamento. É um trabalho ágil e num ritmo que muitas vezes se perde, não mantendo o mesmo em todo o tempo, levando assim a interpretação crescente e decrescente em várias cenas. Esta montagem que achei interessante poderia ter sido ainda melhor em que certas cenas poderiam ter sido substituídas por sutilezas, por intenções, por insinuações, que levaria o público a usar sua imaginação atingindo de forma bela toda sua idéia e criação. As interpretações se misturaram com atores mais preparados e outros menos. Dois ou Três atores conseguiram alcançar uma verdade soberana em que os outros ainda não conseguiram encontrar em seus personagens. A verdade do personagem está nos seus pensamentos, em sua linha continua que vem antes e vai após o que vemos durante a execução do espetáculo, a fé cênica (a crença) está em acreditar no que se quer passar, mesmo sabendo que tudo é “mentira” não deixando assim de ser uma interpretação. O ator anseia passar suas mensagens de forma verdadeira e bela (até mesmo num trabalho de rua, em que tudo é farsesco e artificial), usando o corpo, a voz, o olhar, as movimentações, as técnicas e as intuições para assim ir ao palco e “viver” as interpretações acreditando primeiro para se fazer acreditar. E a falta disso em alguns atores fez a peça ficar cansativa quase no momento final do espetáculo.

Sinopse

Fechados num apartamento, duas pessoa, casadas com seus respectivos cônjuges, bebem e conversam. Um toma a iniciativa de expressar seu interesse pelo outro e então começa o jogo. A cada cena, o par é outro (retratando também casais homossexuais) mas o diálogo é o mesmo: medo, mentira, vontade, tesão, paixão sem correspondência, amor, dúvida e coragem.

Este espetáculo está bem montado, as “falhas” somem neste trabalho que nos encanta e nos passa um saber, uma inteligência grandiosa que toca e nos preenche! Estes atores estão de parabéns pela dedicação, pelo amor pela arte, pelas emoções que se mostram transparentes no olhar de cada um.

Com:

Gislaine Nascimento, Lívia Garcia e Garcia, Lívia Allena, Juliana Aguiar, Rogério Miranda, Rafael Augusto, Mauro Júnior, Renato Santiago Bueno, Fernando Gimenes, Ricardo Henrique e Orlício Marques.
Direção: Alessa Hungria / Texto: Mário Viana


A Entrevista

À noite fomos no TUCA na reestréia da peça “A Entrevista” peça de Samir Yazbek com Ligia Cortez e Marcelo Lazzarato que também assina a direção. Estavam presente o ator Milhem Cortaz, André Frateschi (filho da minha querida atriz Denise Del Vecchio que já leu e deixou recados sobre este blog) e a atriz Rachel Ripani que participou de grandes montagens como Gota D’água na direção de Gabriel Villela e Rei Lear na direção de Ulysses Cruz ao lado de Paulo Autran, também fez a novela “Zaza” fazendo a filha de Fernanda Montenegro. “Gabriel é um dos melhores diretores que eu conheço, ele sabe o quer e assumi o que faz” fala Rachel que ainda completa dizendo: “Tive os melhores pais que foram Fernanda Montenegro e Paulo Autran” (brinca). Ela acaba de chegar para o Brasil e em nossa conversa se mostrou uma pessoa inteligente, simples, simpática e um grande ser humano. A noite foi muito agradável e a peça foi tocante!
Por sua elogiadíssima atuação no espetáculo, Lígia Cortez foi indicada ao Prêmio Shell de melhor atriz de 2005. E o texto da peça será publicado em abril de 2006, junto com outros dois do autor (O Fingidor e A Terra Prometida), pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Ligia fica em cena quase o tempo inteiro sentada, é uma das melhores atrizes que já vi no teatro, ela usa um realismo em cena que realmente nos comove. Consegue manter uma linha do começo ao fim, não deixando a personagem explodir com a sutil revelação que fazem no final da peça (fazendo-nos assim explodir na nossa imaginação). Seus gestos, movimentos, seus olhares, suas ações e reações são tocantes e maravilhosos e extremamente realista, como se o teatro e a realidade estivessem juntos na interpretação desta grande atriz. Mantém viva a idéia e se inspira por ela em cada fala, e consegue conservar a juventude na representação e ao mesmo tempo a juventude quanto atriz. O ator e diretor Marcelo fica do fundo fazendo seu personagem que também arrasou na interpretação, que só entra no final da peça no momento da revelação. Sua direção chega a uma exatidão perfeita para esta montagem em que até o cenário na sua simplicidade não deixa de ter um grande glamour!

Estúdio de uma emissora de televisão momentos antes do início da gravação da entrevista entre a jovem e bem sucedida escritora (Lígia Cortez) e o jornalista (Marcelo Lazzaratto). Nada extraordinário não fosse ela a ex-mulher dele. O que seria uma conversa sobre literatura se transforma em acerto de contas pessoal e, mais do que isso, em uma reflexão sobre a condição humana. Isto é A Entrevista, peça de Samir Yazbek, com direção de Marcelo Lazzaratto, “Um texto introspectivo, interessante e profundo. Fui convidada para fazer a leitura da peça e me empolguei com ela. Acho que ‘A Entrevista’ é um ótimo exercício de dramaturgia e realização para o autor, o diretor e os atores” diz Ligia Cortez, que após muitos elogios da imprensa retorna ao Tuca (R. Monte Alegre, 1024, Perdizes - Tel: 3670 8458) a partir de 4 de março, sábado, às 21h.

Temporada: 4 a 26 de março de 2006 Local: teatro TUCA – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes. Horários: sábado às 21h – domingo às 19h
Preço: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia) Estudantes, professores e funcionários da PUC: R$ 10,00.
Bilheteria: Aberta de quarta-feira a domingo, das 15h às 20h.
A todos estes espetáculos os meus aplausos!

Foto: Divulgação de "A Entrevista"

Por Lell Trevisan