sábado, abril 01, 2006

O Rim - Crítica


No dia 18 de março fui conferir a peça “O Rim” de Patrícia Melo na direção de Elias Andreato. A peça que surgiu após a autora ler uma notícia de jornal sobre o roubo de um rim conta a história de Rosário (Carolina Ferraz) uma bibliotecária que se relaciona com a vida muito mais pela literatura do que propriamente pela realidade. Vive com a mãe, Dora (Ivone Hoffmann), fissurada em televisão, e com o irmão Carlos (Bruce Gomlevsky), gay que sonha montar um musical sobre Maria Callas. A vida sem glamour desses personagens sofre uma significativa mudança quando Carlos é atropelado pelo sedutor Augusto (Eduardo Reyes), um suposto milionário. Todos ficam encantados pelo moço, especialmente Rosário que acaba tendo um caso de amor com ele. Augusto está doente, precisa de um transplante de rim e é ajudado pela família, a qual se decepciona com o mesmo.

Carolina Ferraz não se desprendeu desta imagem de “atriz de TV” e não alcançou a dramaticidade que pede o TEATRO. A iluminação e o cenário não são compatíveis com a proposta de encenação. O texto é uma “novela mexicana” sem grandes expectativas, com um conteúdo fraco e que se perde quando a personagem Dora (mãe de Rosaria) faz imensos comentários sobre telenovelas trazendo piadas fracas recheadas de clichês. Bruce Gomlevsky faz um gay caricato e apelativo. O cenário é uma estante coberta com muitos livros, mas parece que os livros já não cabem mais em suas prateleiras e por isso viraram almofadas para o sofá, toalha de mesa, etc. Uma mão aparecia em cena toda vez que Rosario precisava de alguma coisa, essa mesma mão guardava sua bolsa, pegava os adereços de cena, lhe entregava os pratos e garfos... Eduardo Reyes apesar de um talentoso ator não alcança esta ação dramática que pede o Teatro, talvez devido pelas limitações do texto. Todo pensamento, todo movimento em cena tem que ser uma ação dramática pois caso contrário esta interfere na leitura cênica feita pelo público. A peça que certamente é voltada a um público de TV está em cartaz no Teatro Folha até dia 30 de abril.

Horário: sextas às 21h30, sábados às 21h, domingos às 19h30
Ingressos: R$ 40, sexta e domingo / R$ 50, sábado
Shopping Pátio Higienópolis
Av. Higienópolis, 618 / Piso 2 / tel: 11 3823-2323

Não percam textos de minha autoria sobre as peças: O Pequeno Príncipe, Rainha Esther, Um Homem é Um Homem neste blog nos próximos dias!

Por Lell Trevisan