quarta-feira, maio 31, 2006

Um Homem É Um Homem



Devido a um novo programa de TV que estreará em breve onde assino a produção artística, estive nestes últimos dias sem tempo para publicar alguns de meus momentos maravilhosos de grandes espetáculos, entre eles um que me encantou profundamente com sua sensibilidade, sua forma diferenciada de se fazer arte, e o mais importante: o respeito pelo teatro e seu público. Estou falando da peça “Um Homem é Um Homem” de Brecht que estive na estréia no dia 23 de março em São Paulo no SESC Consolação na direção e adaptação do grande: Paulo José, com o sensacional Grupo Galpão. Estavam presente Ruth Escobar, Fernando Neves, Eduardo Reyes, Ary França e meu grande amigo Ailton Amaral curador da Mostra de Teatro de Rua de Paraty que na volta de Curitiba deu uma passadinha rápida por São Paulo. No original de Brecht a ação transcorre na Índia, em 1928, em um acampamento militar de tropas britânicas que se preparam para promover uma guerra pacificadora em províncias rebeldes. E nos dias de hoje, onde se passaria a peça? A farsa de Bush, Blair et caterva motivou a adaptação da comédia, ou tragicomédia, UM HOMEM É UM HOMEM, ambientando-se num país imaginário, o Urbequistão, em cuja capital Dagbá estão aquartelados cem mil soldados ocidentais.

A montagem está espetacular, encantadora, de uma ação dramática presente em cada momento. Após o espetáculo Paulo José fala sobre a peça e sobre a questão de um dos atores ter entrado em cena de cadeira de rodas devido a um probleminha que teve, no coquetel o ator Eduardo Moreira fala de seu nervosismo de fazer a peça pela primeira vez em cima de uma cadeira de rodas, mas mesmo assim a peça não perdeu sua essência, pelo contrario o ator passou uma verdade em cena sem transparecer seu nervosismo. Todos os atores são especiais e levam a arte com muito respeito e profissionalismo. Após o espetáculo Paulo José fala sobre a montagem e se emociona.


Direção: Paulo José
Elenco: Antonio Edson, Arildo de Barros, Beto Franco, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André, Rodolfo Vaz e Simone Ordones.

Por Lell Trevisan