sexta-feira, junho 16, 2006

Miserê Bandalha



No dia 7 de abril fui ver a peça “Miserê Bandalha” da CIA. De Atores Bendita Trupe. Mas a emoção deste dia iniciou antes do espetáculo, talvez na ida ao teatro. Fiquei de me encontrar com a Nanda na Av. Paulista, em instantes chega ela e Mara (sua amiga), uma mulher simples, humilde, bem popular, mas que atrás desta imagem esconde uma mulher culta e amante da arte. Mora numa cidadizinha em Goiás, é formada em filosofia, morou dois anos na Índia e junta seu dinheirinho para viajar pelo país em busca de espetáculos teatrais. Uma doida que não tem o que fazer? Não! Uma das responsáveis pela sobrevivência da arte. Após vermos o espetáculo vieram os comentários, os melhores que já ouvi, pois o dela vinha da alma, sem técnicas, sem conhecimento do teatro, sem preconceitos, mas do coração, ela se entrega a arte, sente as emoções sem julgamentos. Aliás se havia julgamentos naquele lugar, eram das pessoas que ali estavam em relação a esta mulher, a olhavam de canto de olhos, riam, e mal sabiam do poço de sabedoria que vinha deste humilde ser. Dedico este texto a Mara, nos conhecemos tão pouco e fiquei emocionado em conversar mesmo que por pouco tempo com ela.

O espetáculo no inicio deu a impressão de que seria uma peça fraca, sem momentos fortes, interpretações repletas de falhas, o cenário parecia ser inadequado. E em poucos segundos o texto, a montagem, os atores, o cenário, se tornam perfeitos. O espetáculo está maravilhoso, os atores interpretam vários personagens com uma criação bem feita para cada um. O cenário mostra uma favela das grandes cidades em que muitas vezes sem percebermos muda-se as intenções do cenário. É uma narrativa cômica sobre as questões em torno da criminalidade, das perdas sistemáticas de cidadania e da manipulação do inconsciente coletivo pela mídia. Nos leva a reflexões como por exemplo a forma que a televisão nos manipula, os poderes da marginalidade e os poderes públicos. Bendita Trupe reafirma sua opção de crítica social através das linguagens da farsa, paródia, humor negro, alegoria, trash, patético, e tudo o mais que provoque o lúdico e o sarcasmo. “Miserê Bandalha” é uma pesquisa cênica construída em processo colaborativo pela Bendita Trupe, a partir de fontes documentais sobre o universo da violência e do poder paralelo nos centros urbanos. A participação da dramaturga Cláudia Vasconcellos foi determinante na finalização do texto. Após o espetáculo conversei com o ator Camillo Brunelli que diz estar muito contente com o resultado da peça e sua repercussão.
Elenco: Jacqueline Obrigon, Maurício de Barros, Vera Villela, Germano Melo, Priscila Jorge, Camilo Brunelli.

Foto: divulgação.

Não perca semana que vem tudo sobre Marco Nanini, num bate papo maravilhoso!

Por Lell Trevisan