domingo, março 20, 2011

História do Teatro Paulista

A História do Teatro Paulista (Parte I)
Nasce um Teatro, Nasce o TBC

2008 - TODOS OS DIREITOS RESEVADOS

Inicio uma trilogia sobre a história do teatro paulista... Uma volta ao passado, que passa pelo nascimento do TBC, do surgimento do Teatro de Arena e o sucesso do Teatro Oficina.
A História do Teatro Brasileiro está sintetizada com a História do
Teatro Paulista.
A cidade de São Paulo pode se igualar, em termos de quantidade de produção cultural, com qualquer outra cidade do mundo, pois a capital comanda a produção e distribuição de bens culturais não só do Estado, mas de todo o país.
A primeira manifestação teatral em solo brasileiro se deu no Estado de São Paulo. O jesuíta português Jose de Anchieta (1534-1597) escreveu autos que representou usando índios como atores e platéia, após isso não se registrou nenhuma atividade notável nesse campo até o inicio deste século.
O ciclo do café, fez com que, desde o século passado, algumas cidades do interior entrassem para a agenda das grandes companhias européias, Teatros como o Pedro II, na cidade de Ribeirão Prato, recebiam companhias que passavam por Manaus, Rio de Janeiro e Buenos Aires.

São Paulo foi onde nasceu o moderno teatro brasileiro, onde as experiências de dramaturgia de Oswald de Andrade e de encenação de Flávio de Carvalho marcaram a tentativa de levar aos palcos a revolução que os intelectuais fizeram chegar às outras artes na Semana de Arte Moderna de 22. Foi também em São Paulo que, pela primeira vez, uma companhia profissional (o TBC) se estabeleceu em uma sala com uma programação exclusivamente voltada para os novos cânones estéticos. Atores como Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Cacilda Becker, Tônia Carreiro, Sérgio Cardoso e Cleide Yáconis começaram ou se firmaram no TBC. O maior dramaturgo paulista, e um dos três maiores brasileiros, Jorge Andrade viu ali, no TBC, algumas se suas peças sendo montadas.
Também se firmaram ali os diretores Antunes Filho e Flávio Rangel, os dois expoentes dessa geração de diretores.
Nos anos 50, o TBC "Teatro Brasileiro de Comédia" foi o grande modernizador do teatro no país. Em 1945, Franco Zampari escreve uma peça de teatro chamada "A Mulher de Braços Alçados" e apresenta sua peça numa festa da alta sociedade de São Paulo e essa brincadeira entre
amigos foi a semente que brotou e acabou motivando Zampari para uma dedicação mais profunda ao teatro. Em 1948, Franco Zampari, associado a um grupo de empresários de São Paulo, cria o TBC. Transforma um velho casarão em um teatro luxuoso (para a época).

História do Teatro Paulista (Parte II)
Surge o Teatro de Arena

Após o sucesso do TBC, surge uma nova forma estética de ser fazer teatro com o Grupo Teatro de Arena. O Teatro de Arena teve início quando um grupo procurava espaços de atuação para os primeiros formandos da EAD em 1953.
Sua principal característica foi a de nacionalizar o palco brasileiro, a partir da estréia de
Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri em 1958, tendo no elenco da peça além do autor, Lélia Abramo, Flávio Migliaccio, Milton Gonçalves e Chico Assis entre outros, tendo à frente do grupo José Renato. A partir desta montagem, o Arena passaria a liderar um processo de criação de uma dramaturgia nacional voltada para a realidade política e social do país. O grupo montou textos estrangeiros e nacionais, nos quais a maior curiosidade estava na própria forma adotada para a relação palco-platéia: uma semi arena.
O grupo nesta época lançou profissionalmente atores como Eva Wilma, John Herbert, Gianfrancesco Guarniere. Foi ali que também estreou o autor Benedito Ruy Barbosa.
O grupo, no seu inicio, foi o primeiro na América do Sul a utilizar a cena circular envolvida pelo público, visada sobretudo à economia do espetáculo, adotando as mesmas premissas estéticas do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), sendo ecléticos em seus repertórios, e sem a necessidade de cenários, atuando em locais improvisados. Em 62, Augusto Boal passou a dirigir artisticamente a companhia.
Em outra fase, depois do golpe de 64, se inauguraria uma fase em que se procurava conciliar a releitura de momentos importantes da história brasileira com a efervescente música popular. Aí surgiram nomes como Edu Lobo, Caetano Veloso, Tom Zé, Gal Costa e Maria Bethânia
. E nesta mesma época, passaram pelo grupo atores como Paulo José, Juca Oliveira, Lima Duarte, Dina Sfat, Fausi Arap e Yara Amaral entre outros.
A repressão violenta da ditadura, de 68, ainda permitiu a Augusto Boal fazer a experiência do Teatro Jornal, primeiro passo de seu Teatro do Oprimido, que se desenvolveu no exterior nas formas do Teatro Invisível e do Teatro-Foro.
Atualmente em centros permanentes em Montreal e Paris. Mas seu exílio, em 1971, interrompeu a grande trajetória do teatro Arena que com a repressão ficou nas mãos de um núcleo 2.

A História do Teatro Paulista (Parte III)
O Novo Protagonista - Teatro Oficina

O novo protagonista do Teatro Paulistano nos anos 60 foi o grupo Oficina, fundado no final dos anos 50, por um grupo de estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco: José Celso Martinez Correa, Amir Haddad (ator homenageado nas mostras de Paraty), Renato Borgui e Carlos Queiroz Telles.
Nos anos 60 a trajetória do grupo se confundiu com a trajetória do diretor José Celso, mais importante diretor da sua geração, que em pouco tempo, ele aprendeu, dominou e transfor
mou a herança estética do teatro ocidental no século XX.
A primeira grande realização do elenco, em 1963, foi Pequenos Burgueses, de Górki, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, responsável por todas as montagens subseqüentes de maior qualidade. A crítica reconheceu nela o melhor exemplo de encenação realista, na linha stanislavskiana, produzida no Brasil. Andorra, de Max Frisch (1964), já incorporou a linguagem épica, deslocada em Os Inimigos, também de Górki (1966), brigando com o estilo do autor e também o melhor Brecht é dele em Na Selva das Cidades ou Galileu Galilei.
Mas o marco de sua obra é a montagem de O Rei da Vela, de Owald de Andrade.
Na montagem Roda Viva, texto de Chico Buarque de Holanda, José Celso e seu elenco tiveram de enfrentar a fúria do grupo paramilitar CCC que, com a complacência da polícia, espancou os atores da peça (entre eles, Zezé Motta, Marília Pêra, Rodrigo Santiago e Jura Otero) e depredou a sala de espetáculos em que se apresentavam, o Teatro Ruth Escobar.
Entre os atores que passaram por essas montagens podemos destacar Renato Borgui (protagonista de quase todas elas), Célia Helena, Raul Cortez, Ítala Nandi, Etty Frazer, Eugênio Kusnet (que transmitiu ao diretor e seus atores sua experiência e conhecimento do método Stanislavisky, que ele havia aprendido em sua Rússia natal), Cláudio Correia e Castro, F
auzi Arap, Beatriz Segall, Fernando Peixoto (também importante na dinâmica do grupo como assistente de direção e teórico) e Mauro Mendonça, entre tantos outros.
O processo de rompimento do grupo, fruto, entre outras coisas, da repressão policial e política, levaram à sua dissolução em 72.
José Celso viveu assim no exílio até 1979. Ao retornar ao Brasil, engajou-se numa luta pela recuperação da posse do espaço do teatro, depois pelo seu tombamento e por sua reforma. E só voltaria a dirigir novamente em 91. O novo Teatro Oficina - ou Usina Uzona, como passou a se chamar - foi aberto em 93 com uma genial adaptação do Hamlet, de Shakespeare.