segunda-feira, setembro 29, 2014

Cora Coralina – Removendo Pedras e Plantando Flores


Por Nanda Rovere

Cora Coralina – Removendo Pedras e Plantando Flores conta fatos da vida da poetisa e contista Cora coralina

Dirigida por Lavínia Pannunzio, Cora Coralina– Removendo Pedras e Plantando Flores fala de um dos grandes nomes da nossa literatura, que publicou o seu primeiro livro de poesias aos 75 anos. No palco, estão os atores Amélia Bittencourt, Anna Cecília Junqueira e Josué Torres. A estreia é dia 4 de outubro, às 15h, no Teatro do MuBE.

A peça, de autoria de Mauro Hirdes, é uma adaptação da biografia Cora Coragem, Cora Poesia, de Vicência Brêtas Tahan, filha da escritora. Os poemas de Cora também serviram de inspiração para o autor, que usou os seus conteúdos para retratar com veracidade a forma com que a poetisa encarou sua infância.

Hirdes criou a primeira versão do texto na oficina de dramaturgia da Funarte (SEMDA), coordenada por Chico de Assis no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Ele visitou a cidade de Goiás, terra de Cora Coralina, para entender melhor o universo em que ela viveu. “A ideia sempre foi a de criar uma peça que motivasse o público a perseguir seus sonhos por meio da história de Cora, que só conseguiu publicar seu primeiro livro quando já tinha 75 anos de idade”, explica Mauro.

O espectador acompanha a trajetória da doceira Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina, desde a infância até o seu reconhecimento no mundo literário. A história de Cora Coralina é dividida em três etapas: da sua infância em Goiás até o momento em que ela deixa a cidade para viver com seu marido, o retorno à cidade, quando começa a vender doces e o encontro com o amigo doutor Barbosa, que a incentiva a escrever profissionalmente.

Os atores estão dispostos de maneira que o público assiste ao espetáculo como se estivesse vendo fotos de Cora Coralina: Ao lado das bagagens está Cora mais velha e o Dr. Barbosa, enquanto no centro do palco está Cora quando criança.

Além disso, para ativar a memória, objetos estão dispostos estrategicamente em cena: Ao fundo do palco há malas de viagem, caixas, livros e uma máquina de escrever, tudo está embalado em papel pardo. Na boca de cena, bem próximo ao público, uma boneca e outros brinquedos.

Anna Cecília Junqueira e Amélia Bittencourt interpretam Cora e interagem em cena, revivendo momentos da infância, adolescência e idade adulta, evidenciando os seus conflitos e a decisão de se dedicar à criação literária. Josué Torres vive doutor Barbosa, o fiel amigo de Cora Coralina, que ao presenteá-la com uma máquina de escrever a motivou a organizar seus escritos para publicá-los anos depois.

A montagem busca uma comunicação direta com o público e os fatos não são contados de maneira cronológica, valorizando assim o teor emotivo de cada passagem da vida da poetisa. “A ideia é recortar as coisas. As personagens criança e mulher não se comunicam, mas a voz é uma só. Ela transita num tempo que não é real. A peça se passa num fluxo de memória em que Cora repassa toda sua vida”, explica a diretora Lavínia Pannunzio, inspirada em outro escritor, Borges: “Chego, agora, ao centro inefável de meu relato; começa, aqui, meu desespero de escritor. Toda linguagem é um alfabeto de símbolos cujo exercício pressupõe um passado que os interlocutores compartilham”.

Uma oportunidade ímpar para entrar em contato com a vida e o pensamento de uma mulher que é exemplo de vida, pois mostrou que é possível fazer sucesso na terceira idade.

Cora Coralina nas falas de Amélia Bittencourt, Anna Cecília Junqueira e Josué Torres Amélia Bittencourt, intérprete de Cora Coralina na terceira idade, já havia trabalhado com Lavínia Pannunzio em 1995, na peça Atos e Omissões. Nesta ocasião, ambas como atrizes. Veio da diretora o convite para Amélia viver Cora Coralina no teatro. “Eu fiquei muito contente quando Lavínia me chamou para o projeto. A Cora é uma personagem apaixonante. Uma pessoa que com tantas dificuldades e dor na infância conseguiu se sobrepor a tudo isso e viver uma vida poética. Ela resistiu, por mais difícil que fosse o seu caminho, e isso me encantou muito, assim como a garra e o peito aberto para sair de uma cidade tão conservadora e seguir seu sonho”, conta Amélia.

Anna Cecília Junqueira, atriz que representa a infância de Cora, foi indicada por Mauro Hirdes desde o início do projeto. “O meu personagem é a invenção da infância da Cora que está nos livros dela. Essa personagem é a semente de tudo que ela virou. A Cora Coralina é uma figura exemplar do feminino. Ela é guerreira, política, mulher que congrega, que movimenta a cidade, e tudo isso carregado de uma carga de poesia na própria vida que ela traz nos seus textos”, relata Anna.

Josué Torres fala sobre o amigo de Cora Coralina - doutor Barbosa: Antes da chegada do doutor Barbosa, Cora não se enxergava como escritora. Ela se via como uma doceira que tinha prazer em escrever. Na peça estamos tratando ele como um anjo que vem dar voz à Cora Coralina que ficou escondida por mais de 60 anos. Ele é o personagem que vem desvendar essa figura que está presa ali no meio de tanto açúcar”, ilustra Josué.

Sobre Cora Coralina:

Nasceu na Cidade de Goiás em 20 de agosto de 1889. Em 1905, quando estava com dezesseis anos de idade, enviou uma crônica de sua autoria para o jornal Tribuna Espírita, da cidade do Rio de Janeiro, sendo essa sua primeira publicação. Em 1908, aos dezenove anos, criou, com a ajuda de duas amigas,

o jornal de poemas femininos A Rosa. Seu primeiro conto, Tragédia na Roça, foi publicado em 1910 no Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás. Cora começou cedo, porém o reconhecimento chegou quando já era uma senhora de setenta anos. Passou a maior parte de sua vida no estado de São Paulo, lugar onde nasceu seus seis filhos, registrando passagens por Jaboticabal, Penápolis, Andradina e a própria cidade de São Paulo. Regressou para a cidade de Goiás já idosa e viúva, retornando para a Velha Casa da Ponte sobre o Rio Vermelho, residência ancestral de sua família. Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais, seu primeiro livro, foi publicado pela Editora José Olympio em 1965. O livro foi enviado por Cora para vários escritores, tendo sido Drummond um deles, e foi justamente pelas mãos do poeta que a figura da escritora ganhou projeção nacional. Cora Coralina faleceu em Goiânia em 10 de abril de 1985. Após sua morte, a Velha Casa da Ponte foi transformada no Museu de Cora Coralina, que guarda diversos de seus manuscritos, livros, objetos pessoais e as correspondências trocadas durante anos com o amigo Carlos Drummond de Andrade. Cora escreveu sobre seu próprio tempo e sobre um tempo futuro, pois dizia escrever para as gerações vindouras. Deve ser vista muito além da figura mítica que para ela foi criada e, por isso, merece nosso interesse e leitura. Fonte: http://www.brasilescola.com/

Sobre Lavínia Pannunzio

Lavínia Pannunzio nasceu em Uberlândia, Minas Gerais, em 4 de abril de 1966. Começa a fazer teatro na escola, em sua cidade natal. Em 1989, forma-se na Universidade Estadual de Campinas. Como atriz, já trabalhou também no cinema e na televisão.Ganhou vários prêmios, entre eles APCA e Coca-Cola/Femsa como diretora e prêmio Shell e APCA como atriz. Dirigiu diversos espetáculos, entre eles Veludinho, Chorávamos Terra Ontem à Noite (indicado ao prêmio Shell de 2009 na categoria de Melhor Texto),Clausura de Gustavo Sol – vencedor do Edital de Co-Patrocínio para Primeiras Obras, do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso – 2010; PELOS ARES, de Pedro Guilherme – vencedor do 14º Festival da Cultura Inglesa – 2010, entre outros.

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Ficha Técnica:

Dramaturgia: Mauro Hirdes.
Direção: Lavínia Pannunzio.
Elenco: Amélia Bittencourt, Anna Cecília Junqueira, e Josué Torres.
Cenário e Figurino: Cássio Brasil.
Produção: Cia Teatro da Investigação

Serviço:

Cora Coralina. Estreia dia 4 de outubro no Teatro do MuBE. Endereço: Av. Europa, 218 - São Paulo. Telefone: (11) 2594-2601.Temporada: De 4 de outubro a 30 de novembro. Horários: sábados às15h e domingos às11h, respectivamente. Ingressos: R$30,00 (inteira), R$15,00 (meia) e R$10,00 para terceira idade. Duração: 40 minutos. Classificação: 10 anos.