quinta-feira, outubro 23, 2014

Celso Frateschi dá um show de interpretação em Sonho de um Homem Ridículo



O monólogo, que está no repertório do ator Celso Frateschi desde 2005, volta ao Teatro Ágora dia 1º de novembro, sábado, para temporada de sexta a domingo, até 14 de dezembro.

O texto é baseado no conto homônimo do escritor russo Fiódor Dostoiévski, publicado pela primeira vez em 1877 no livro Diário de um Escritor. Frateschi assina a dramaturgia. Direção de Roberto Lage, cenários e figurinos de Sylvia Moreira.

Quando assisti ao espetáculo Sonho de um Homem Ridículo pela primeira vez saí do teatro ¨baratinada¨. A interpretação de Celso Frateschi é arrebatadora.

Sonho de um Homem Ridículo conta a história de um homem solitário, que desde criança é ridicularizado por todos. Ele vive em São Petersburgo no século XIX, época em que a cidade era o centro de toda a Rússia e os homens eram introspectivos e mais voltados para si mesmos. “É um personagem fantástico, pois com a introspecção a alma aflora de maneira exuberante”, define Frateschi.

O personagem é um funcionário público que não deseja viver mais, quer se matar com uma arma na cabeça, mas não consegue apertar o gatilho.

Num certo dia, é abordado por uma menina que clamava por ajuda. Ele a espanta aos berros. Ao voltar para casa, adormece, sonha com a sua própria morte, com seu enterro e com uma vida após a morte. Narra para o público as suas impressões e acredita que tudo foi real.

O foco da montagem, dirigida por Roberto Lage, está no ator e a poesia é um dos pontos fortes da narrativa. “Queria sair do drama burguês, por isso dei uma visão mais moderna, mais panorâmica do espetáculo, sem perder o componente emocional”, afirma o diretor.

O clima é onírico. O personagem está coberto por um manto e a cenografia, assinada por Sylvia Moreira, traz referências da Rússia do século XIX.

No palco, uma imagem do planeta Terra e ícones religiosos ortodoxos, compostos por rendas artesanalmente costuradas, servem de suportes para projeções de imagens que Elisa Gomes criou especialmente para o espetáculo.

O texto é impactante porque trata de assuntos universais relacionados às inquietações dos seres humanos. Frateschi interpreta de modo visceral, o que possibilita um mergulho profundo na alma do personagem.

Vale a pena conferir. Excelente!

Sobre Celso Frateschi

Paulistano da Lapa de baixo, tem mais de 40 anos de carreira, é proprietário do Teatro Ágora e também professor da Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo. Sobre Celso Frateschi. Ator, diretor e dramaturgo, tendo estreado no Teatro de Arena de São Paulo em 1970, em Teatro Jornal 1a. Edição, de Augusto Boal. Trabalhou com os principais diretores do teatro brasileiro, com Enrique Diaz, José Possi Neto e Domingos de Oliveira. Foi premiado nos espetáculos: Os Imigrantes, autoria própria, Prêmio Mambembe de Melhor Projeto (1978), Eras (1988), de Heiner Müller, Prêmio Shell de Melhor Ator, Do Amor de Dante por Beatriz, de Dante Alighieri, com adaptação de Elias Andreato, Prêmio Apetesp de Melhor ator (1996). Na televisão, participou de minisséries e novelas, como: Memorial de Maria Moura, A Muralha, O Beijo do Vampiro, Um Só Coração, Paixões Proibidas, Belíssima, Caros Amigos e Casos e Acasos, Escrito nas Estrelas, O Astro, entre outras. Atualmente é diretor do TUSP.

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Ficha Técnica:

Texto – Fiódor Dostoiévski.

Dramaturgia e interpretação - Celso Frateschi.

Direção - Roberto Lage.

Cenário e Figurino - Sylvia Moreira.

Luz - Wagner Freire.

Trilha Sonora - Aline Meyer.

Imagens - Elisa Gomes.

Serviço:

Sonho de um Homem Ridículo

Reestreia dia 1º de novembro, sábado, às 21 horas. Teatro Ágora. Temporada – Sextas e sábados, 21 horas e domingos às 19 horas. Ingressos – R$ 30,00 (meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 65 anos). Duração – 75 minutos. Censura – 12 anos. Gênero – Drama.

TEATRO ÀGORA - (Sala Giani Ratto), Rua Rui Barbosa, 672 – Bela Vista. Telefone – (11) 3284-0290. Bilheteria – de segunda a domingo das 14 às 20

horas. Não aceita cartão de crédito. Cheque, cartão de débito e dinheiro. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficientes físicos.