quarta-feira, outubro 29, 2014

Entrevista com o cineasta Clery Cunha, diretor do filme JOELMA 23º Andar


JOELMA 23º Andar será exibido na 38º edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Por Nanda Rovere

A Cinemateca Brasileira convidou o diretor de cinema Clery Cunha para participar da exibição do filme JOELMA 23º Andar em comemoração ao Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual. A exibição aconteceu no dia 27 de outubro, no Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca sala 03.

O filme mostra um dos fatos mais trágicos da história paulistana: o incêndio no edifício Joelma, atualmente denominado edifício Praça da Bandeira. O acidente provocou a morte de 191 pessoas e deixou mais de 300 feridas.

Joelma 23º andar foi lançado em 1980 e traz no elenco Beth Goulart, Liana Duval, Marly de Fátima, Carlos Marques, Marcia Fraga e Antônio Pettan. Tem como destaque a fotografia de Cláudio Portioli, com imagens captadas pelo produtor Sebastião de Souza Lima no próprio dia do trágico fato.

O longa, assim como toda a filmografia de Clery Cunha, traz técnicas televisivas de apelo popular. Além disso, o diretor trabalhou com cinco câmeras e, segundo Cunha, isso foi ‘uma revolução para a época”.

Baseado no livro Somos Seis, de Chico Xavier (que faz uma participação especial), Joelma 23º andar mostra a trajetória de uma jovem sensitiva que consegue trabalho num dos escritórios do edifício Joelma.

A moça é uma das vítimas do incêndio e a sua mãe procura o médium Chico Xavier na esperança de receber uma mensagem.

ENTREVISTA COM CLERY CUNHA

Nanda Rovere - Quais as suas lembranças sobre o incêndio e como foi trabalhar em cima de imagens reais?

Clery Cunha - Na época eu trabalhava na TV Excelsior, na Rua Nestor Pestana, então, todos nós da emissora, que ficava ao lado da rua que acontecia o incêndio, presenciamos quase tudo...horrivel e real!

NR - Como surgiu a ideia de abordar o fato a partir do livro Somos Seis do Chico Xavier?

CC- -SEBASTIÃO de SOUZA LIMA, então repórter cinematográfico, contratado do jornalismo do canal 9 gravou tudo com sua câmera 16m/m belhovel,e mais de 6 chassis. Anos depois, eu já era diretor de cinema, e o SOUZA dono de uma produtora de comerciais. Estávamos almoçando e discutindo um projeto de um filme sertanejo, quando um amigo do SOUZA se aproximou da mesa do restaurante e mostrou um livro intitulado ''Somos Seis'' que contava a historia de seis pessoas que morreram no incêndio do Joelma e que foi psicografado por CHICO XAVIER...naquele momento encerrou o projeto do filme sertanejo e nasceu ''JOELMA 23º andar''.

NR - Como foi o seu contato com Chico Xavier e como é a participação dele no filme?

CC- -Meu contado com CHICO XAVIER foi profundo, muito profundo,.e digo mais, minha vida pessoal e profissional se modificou radicalmente depois do filme.

NR - Como foi apresentar o filme na Mostra mais de 30 anos após a estreia?

CC- -Sinto-me orgulhoso, com a sensação de ter cumprido condignamente meu objetivo. Esta mostra é a segunda que eu participo, a primeira foi a 34º mostra, em 2010, com o filme ‘’Os Desclassificados’’, um policial, aliás, foi minha primeira direção no cinema.

NR - E quando o filme foi lançado, como foi a receptividade, já que o incêndio era um fato tão recente?

CC- -Polêmico! Posso dizer que houve uma curiosidade incrível. Foi um sucesso nacional e até internacional, e com o tempo se transformou num cult.

NR - Fale um pouco sobre a importância da Boca do Lixo na sua trajetória.

CC- -Naveguei por quase todos os gêneros e sentia a grande receptividade do público, que prestigiava de verdade nossa produção DA BOCA DO LIXO, nas décadas de 70, até quase 90. Foram produções de níveis A-B-C-E ‘’TRASH’’. Algumas filmagens se tornaram verdadeiras obras-primas e inesquecíveis ! Eu só tenho a agradecer e a parabenizar, sobretudo a criatividade insuperável dos meus amigos cineastas que atuavam naquela época .

NR - A TV influenciou muito o seu trabalho no cinema. O Teatro também?

CC- -SIM! A TV influenciou muito na minha trajetória cinematográfica e, VALEU! BRINCANDO, costumo afirmar que: ‘ Tenho a AGILIDADE DA TV e a CARPINTARIA DO CINEMA, que é e sempre foi a 7ª ARTE. OTEATRO SEMPRE FOI A BASE e o verdadeiro ALICERCE da minha carreira.

Sobre Clery Cunha

Clery Leite da Cunha, pseudônimo artístico de Clery Cunha, nasceu em 22 de junho de 1939 na cidade de Leopoldo Bulhões, Goiás. É ator, radialista e cineasta. Aficionado por quadrinhos, seu interesse pelo cinema nasceu ainda na infância, quando assistia a seriados policiais, faroestes e filmes de aventura que marcariam sua trajetória como diretor de obras populares.

Com 75 anos e 50 de carreira, Clery Cunha é um dos remanescentes da Boca do Lixo, antigo polo de produção cinematográfica localizado no bairro da Luz

no centro de São Paulo. Clery está se preparando para rodar um novo longa metragem em Goiás no início de 2015 e nesse momento produz um curta e um longa chamado Tiradentes City.

OS Filmes que dirigiu :

Década de 1970

Os Desclassificados (1972)

A Pequena Órfã (1973)

Pensionato de Mulheres (1974)

Eu Faço... Elas Sentem (1975)

Chumbo Quente (1977)

O Outro Lado do Crime (1978)

Joelma

Joelma 23º Andar (1979)

Década de 80

O Rei da Boca (1982)

Horas Fatais (1987)


Ano 2014

Está filmando o longa ‘Tiradentes City SP Zona Leste’.


Filmes que atuou :

1971 - Um Pistoleiro Chamado Caviuna

1969 - Sentinelas do Espaço

1964 - Lampião, O Rei do Cangaço

1960 - Conceição

Novelas que atuou:

Os Miseráveis – Tv Bandeirantes

O Grito – TV Globo

Jerônimo, o Rei do sertão – SBT

Aritana – TV Tupi

SINOPSE DOS FILMES

A PEQUENA ÓRFÃ (Brasil, 1973, 81 min). Dir.: Clery Cunha. Com Patrícia Ayres, Dionísio Azevedo, Noite Ilustrada e outros. Adaptação para o cinema de uma novela homônima de sucesso da TV Excelsior, apresentada entre 1968 e 1969, da qual Cunha foi assistente de direção. Os protagonistas são os mesmos atores que participaram da teledramaturgia. PENSIONATO DE MULHERES (Brasil, 1974, 90 min). Dir.: Clery Cunha. Com Magrit Siebert, Helena Ramos, Silvana Lopes e outros. Garota chega do interior e se hospeda em um pensionato de mulheres em São Paulo. Uma fatalidade com uma das garotas somada ao fato de não se adaptar ao novo ambiente fazem com que ela decida voltar para sua terra.

MARIA, NOSSA MÃE APARECIDA (Brasil, 76 min). Dir.: Clery Cunha. Com Darcy Silva, Luiz Serra, Rosa Guimarães e outros. História sobre como foi encontrada, por pescadores, a imagem da Virgem Conceição nas águas do Rio Paraíba, elucidada por depoimento de especialistas. O OUTRO LADO DO CRIME (Brasil, 1978, 95 min). Dir.: Clery Cunha. Com José Lewgoy, Marineide Vidal, Liana Duval e outros. Homem casado com uma mulher pouco atraente se apaixona por uma bela garota vinda do interior e começa a gastar muito dinheiro para conquistá-la. OS DESCLASSIFICADOS (Brasil, 1972, 95 min). Dir.: Clery Cunha. Com Jesse James Barbosa, Roberto Bataglin, Joana Fomm e outros. Apaixonado pela madrasta, rapaz se vinga de todos os que se colocam entre os dois. EU FAÇO... ELAS SENTEM (Brasil, 1975, 85 min). Dir.: Clery Cunha. Com Antônio Fagundes, Magrit Siebert, Walter Portela e outros. Moça fica desconfiada que seu noivo, inesperadamente, começa a agir como mulher, sem saber que ele tem uma irmã gêmea. O REI DA BOCA (Brasil, 1982, 120 min). Dir.: Clery Cunha. Com Roberto Bonfim, Zaira Bueno e outros. Rapaz da roça tenta ganhar a vida no garimpo, mas é torturado depois que some uma pepita de ouro. Ao matar quem o acusou do roubo, foge para São Paulo e se torna um poderoso criminoso na Boca do Lixo. É um clássico da filmografia do diretor. Inspirado na vida de diversos criminosos que atuaram no Quadrilátero do Pecado e na Boca do Lixo, como Hiroito Joanides de Morais e Joaquim Pereira da Costa. SANTO EXPEDITO URGENTE (Brasil, 1975, 85 min). Dir.: Clery Cunha. Com Reynaldo Sapucaia, Yara Loursi, Zé da Ilha e outros. Funcionário que trabalha em telhados cai de uma grande altura e fica em coma por 55 dias.

FILME: JOELMA 23ª ANDAR

(Brasil, 1979, 80 min). Dir.: Clery Cunha. Ao perder a filha durante o incêndio do Edifício Joelma, no centro de São Paulo, a mãe procura o médium Chico Xavier na esperança de receber uma mensagem. CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA : 14 ANOS

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Ficção

Roteiro: Dulce Santucci

Elenco: Beth Goulart, Liana Duval, Marly de Fátima, Carlos Marques, Marcia Fraga, Antônio Pettan

Filme Completo: