quarta-feira, outubro 22, 2014

O Desvio do Peixe no Fluxo Contínuo do Aquário


Dica de Nanda Rovere

Encenada pela Cia Artehúmus de Teatro, a peça O Desvio do Peixe no Fluxo Contínuo do Aquário trata de questões como convivência, qualidade das relações, individualidade e interação social. Direção de Evill Rebouças. Elenco: Daniel Ortega, Edu Silva, Solange Moren, Natália Guimarães e Cristiano Sales. Até 28 de outubro no SESC Consolação. Depois dessa temporada, reestreia dia 11/11 no Teatro do Incêndio, às terças e quartas, 20h, até 18/12.

No palco, as histórias de cinco personagens trazem reflexões sobre as relações contemporâneas: João Paulo (Edu Silva) e Dalva (Solange Moreno) trocam juras de amor, mas não conseguem estabelecer uma relação de cumplicidade. Eles são pais de Téo (Daniel Ortega), que conduz e participa das ações.

Outros personagens: Anamélia (Natália Guimarães) irmã de Téo vai casar com um colombiano que conheceu pelo facebook. Clóvis, o porteiro (Cristiano Sales) é muito próximo de Téo e teve que fazer prova sobre as teorias do Panóptico de Foucault para o emprego.

O contato no ¨mundo real¨ é precário. Todos conseguem uma boa comunicação, no entanto, através do ¨mundo virtual¨. O computador é o companheiro do cotidiano, além de um peixe no aquário, que observa tudo o que acontece.

Segundo o diretor Evill Rebouças, a solidão é um dos focos. “Não a solidão da tristeza, mas a solidão da individualidade exagerada, gerada pelas necessidades de comunicação do mundo contemporâneo, onde jantamos com nossos amigos e falamos ao celular ao mesmo tempo”, conta Evill. “No entanto, os personagens dessa peça dizem das suas felicidades, são queridos, corretos. Mas são profundamente isolados e sós. E o que demarca essa situação é o ritmo acelerado de nosso tempo, legitimado por um sistema de ‘necessidades’ contemporâneas”, afirma.

O Desvio do Peixe no Fluxo Contínuo do Aquário busca o esvaziamento do drama e a cumplicidade com a plateia. Para tanto, subverte o espaço da representação: traz uma luz fraca, que sugere proximidade entre público e atores, alem de abajures dividindo o espaço em vários cômodos.

Além disso, as sonoridades são narradas e as inserções são operadas pelos atores, diretamente de aparelhos eletrônicos como notebook, tablets e celulares. ¨São massas sonoras sutis, a fim de excluir a teatralidade convencional da trilha e aproximar o espectador do espetáculo”, sublinha Rebouças.

Destaque para as projeções

Um grande aquário é a morada solitária para um pequeno e único peixe e serve também para projetar imagens: telas de redes sociais, telas de site de busca. Em dado momento, o peixinho solitário ganha companhia: a gravura Peixes Grandes Comem Peixes Pequenos, do pintor holandês do século XVI, Peter Brueghel – uma leitura social sobre os modos de sobrevivência em que, geralmente, os grandes engolem os menores.

Sobre a Cia Artehúmus e a pesquisa para o espetáculo

Um dos 52 grupos que apoiam e participam do movimento de ocupação no Ateliê Compartilhado Casa Amarela, na rua da Consolação – foi a campo em busca de diversos questionamentos sobre a forma como as pessoas se relacionam nos dias de hoje. Albergues, conjuntos habitacionais e condomínios de luxo foram alguns dos residenciais visitados. O grupo observou a interação entre os moradores e também entrevistou diversos deles, criando personagens que seguem protocolos comuns da nossa época. A pesquisa ocorreu durante um ano.

Sobre Evill Rebouças

Como dramaturgo, escreveu mais de 20 textos e recebeu indicação a prêmios de Melhor Autor. Ganhou o APCA (por Teresinha e Gabriela - uma na rua e a outra na janela e Estímulo de Dramaturgia da Secretaria de Estado de SP, por Quenturas do corpo e Vladimir Maiakovski (por Corpo calado, breve pecado). Como encenador, dirigiu mais de 15 espetáculos e levou o APCA, Melhor Espetáculo Jovem, por O Santo e a porca. Como ator, foi dirigido por Antunes Filho, José Renato, Roberto Lage, Cassio Scapin, Chico de Assis e Ricardo Karman, entre outros. Ganhou o prêmio Panamco Coca-Cola de Melhor Ator por O santo e a porca. É um dos fundadores da Cia. Artehúmus de Teatro. Licenciado e mestre em artes cênicas pelo Instituto de Artes da Unesp. Tendo como objeto de estudo a Cia. Artehúmus e o Teatro da Vertigem, teve seu mestrado publicado em livro pela Edunesp: A dramaturgia e a encenação no espaço não convencional.

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Ficha Técnica:

Dramaturgia e encenação: Evill Rebouças.

Elenco: Daniel Ortega, Edu Silva, Solange Moreno, Natália Guimarães, Cristiano Sales. Cenografia: Luis Rossi.

Criação de mídias eletrônicas: O grupo.

Consultoria de mídias eletrônicas: Carlos Camargo e Plataforma Wat-PUC.

Figurinos: Daniel Ortega.

Criação de luz: Edu Silva.

Criação de sonoridades: O grupo.

Preparação em viewpoints: Roberta Nazaré.

Preparação de modos de recepção: Letícia Andrade.

Fotos: Will Cavagnolli, Augusto Paiva, José Rebouças, Melca Medeiros. Visualidades gráficas: Stela Ramos.

Assistente de direção: Roberta Ninin.

Contribuição poético-dramatúrgica: Glauce Gomes e Marcelo Hessel.

Operadores de mídias e som: O elenco.

Operador de luz: Carlos Camargo.

Provocadores teóricos: Adélia Nicolete, Alexandre Mate, Beatriz Oliveira da Silva, Daniele Pimenta, Edu Silva, Letícia Mendes de Oliveira, Ligia Borges Matias, Luiza Maia, Natália Siufi, Osmar Azevedo e Ruy Filho. Direção de produção: Cris Bezerra.

Produção: Cia. Artehúmus de Teatro.

Assessoria de imprensa: Arteplural.

Serviço:

O Desvio do Peixe no Fluxo Contínuo do Aquário – Estreia dia 29 de setembro, segunda-feira, às 20h, no SESC Consolação (Espaço Beta, 3º Andar). Endereço: R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque, São Paulo. Duração – 60 minutos. Temporada – segundas e terças às 20 horas. Ingressos – R$10,00 (inteira), R$5,00 (meia) e R$2,00 (comerciário: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no SESC e dependentes). Até 28 de outubro. Depois dessa temporada, reestreia dia 11/11 no Teatro do Incêndio, as terças e quartas, 20h, até 18/12.