sexta-feira, novembro 28, 2014

As voltas que o Rio dá


O prefeito resolve demolir grande parte do centro de sua cidade, sob o pretexto de modernizá-la. O Congresso Nacional aprova uma lei que institui a vacinação antivariólica obrigatória, mas a população vai às ruas contra a sua aplicação. Poderiam ser notícias atuais, mas são fatos retratados nas obras do dramaturgo Artur Azevedo (1855-1908), que refletem a trama de transformações profundas e contraditórias, urbanas e sociais, que o Rio de Janeiro viveu na virada do Século XIX para o XX. Mergulhada nessa atmosfera, a antropóloga, comunicóloga e professora da PUC-Rio Tatiana Siciliano acaba de lançar o livro "O Rio de Janeiro de Artur Azevedo: Cenas de um teatro urbano” (Mauad Editora). Voltado para o público em geral, o livro é uma adaptação da tese de doutorado de Tatiana, defendida em 2011 no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRJ, sob a orientação do renomado antropólogo Gilberto Velho. 

“Parto do princípio que a literatura é um modo privilegiado de reflexão sobre as experiências humanas. Por isso, escrevi o texto a partir de obras do Artur Azevedo, fornecendo, assim, uma descrição completa sobre certas dimensões da cultura urbana do Rio, em meio a um intenso processo civilizador e de urbanização. A luta de Artur Azevedo pela defesa do Theatro Municipal e pela valorização cultural encontra ressonância no espírito da nossa cidade. O livro traz histórias de um Rio de Janeiro enquanto capital do país, mas que poderiam ocorrer nos dias de hoje, já que a ‘capitalidade’, ou seja o status de centro dos acontecimentos sociais do país, resiste”, afirma a autora.

Artur Azevedo se torna uma figura influente na sociedade carioca no início do século passado e junto com Machado de Assis, seu amigo, é um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e principal defensor da construção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A poucos meses do aniversário de 450 anos do Rio, a obra provoca grandes reflexões sobre a cidade que passa por mudanças econômicas, sociais e arquitetônicas para sediar as Olimpíadas de 2016.

Sugestão: Flávia Menna Barreto