segunda-feira, novembro 17, 2014

Assalto Alto está em cartaz no Teatro Ruth Escobar



Assalto Alto é um espetáculo impactante e que começa tranquilo, com os personagens vivendo um dia comum na periferia de São Paulo. Está em cartaz faz dois anos. Em 2014 acontecerão mais quatro apresentações, às quintas, 21h30. Em janeiro de 2015 reestreia no mesmo teatro, Ruth Escobar, aos sábados.

A ação acontece numa lanchonete tradicional de bairro, onde entram e saem clientes durante o dia e a noite.

Em cena, uma garçonete, o cozinheiro, o motoboy e logo chegam dois clientes, que posteriormente o público descobre serem dois políticos importantes, carregando malas contendo bastante dinheiro.

A tranquilidade do início dá lugar a um clima tenso quando os personagens são vitimas de um assalto. O medo toma conta do ambiente e cada um tenta salvar a ¨sua própria pele¨.

Apesar do clima pesado em muitos momentos, Assalto Alto traz pitadas de humor. O riso é nervoso diante da banalização da vida. O clima fica insustentável e tragédias são inevitáveis.

Uma realidade que infelizmente persegue especialmente quem mora nas grandes metrópoles.

O texto é extremamente atual e coloca em discussão assuntos pertinentes, como a corrupção política e a falta de perspectiva de um futuro melhor, levando pessoas que são aparentemente corretas, e trabalhadoras, a cometerem atrocidades.

Quem é o verdadeiro criminoso? Até que ponto valores morais são valiosos?. Até que ponto conseguiríamos manter nossa integridade? Essas são algumas reflexões que Assalto Alto propõe.

A montagem tem caráter popular, no sentido de conseguir atingir todo tipo de público, e tem apuro no tratamento da dramaturgia e das cenas.

A linguagem retrata o modo de falar dos paulistanos, sobretudo da periferia, mas em nenhum momento o texto é apelativo no linguajar.

Como a sala de espetáculos é de semi-arena, e pequena, o público acompanha de perto o drama dos personagens. É convidado a sentar -se à mesa, ou pode ocupar as cadeiras da plateia.

O elenco é talentoso e transmite com maestria a complexidade das cenas. A direção foca a encenação na força do texto e nos diálogos, com

movimentações precisas e que contribuem para que a história prenda a atenção do espectador.

A cenografia é detalhada e recria uma lanchonete com mesas,cadeiras, uma cozinha americana, pôsteres de propaganda e uma vitrola de bar.

A luz serve para ambientar o público na lanchonete. A trilha, que tem como destaque a canção Aparências, de Márcio Greyck, evidencia a simplicidade dos personagens e o comportamento dúbio dos mesmos. Usando as palavras do autor, diretor e ator Carlos Meceni, ninguém é bom e ninguém é mau na peça¨ - agem de acordo com a circunstância.

Confesso que se não conhecesse o ator Josué Torres, excelente em cena por sinal, talvez perdesse esse espetáculo. Não me arrependi. Uma encenação interessante e que, como disse acima, provoca reflexões pertinentes sobre a violência e os valores morais.

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Ficha Técnica:

- Texto original de Carlos Meceni

- Direção: Carlos Meceni

ELENCO

COZINHEIRO - décio pinto

GARÇONETE - nina mancin

EDUARDO -carlos meceni

DARIO - tadeu menezes

MOTOBOY -josué torres

ZOIÃO -geraldo ferreira

- Assistente de Direção: O grupo

- Cenário e Efeitos: Josué Torres

- Produção: Companhia Teatro São Paulo

- Produção Executiva: Josué Torres e Nina Mancin

- Figurinos: Nina Mancin

- Secretaria Administrativa: Sheila Nascimento e Lilia Mancin

- Agradecimentos especiais a Wolney Feres Teaser: https://www.youtube.com/watch?v=K9hz7yTURWM

Serviço:

Rua dos Ingleses, 209 - Bela Vista

Teatro Ruth Escobar

Sala: Miriam Muniz

Classificação Etária: 14 Anos

Dias e Horários: quintas às 21h30

Valor do Ingresso: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (Meia Entrada)