terça-feira, novembro 25, 2014

Espetáculo de dança traz aos palcos Ofélia e Lady Macbeth

Dica de NANDA ROVERE

Cristiane Paoli Quito, bailarina e coreógrafa que une ballet e teatro em seus trabalhos, dirige Ladies, da Inocência à Crueldade, pesquisa de Shakespeare traduzida em dança, com sobreposição de linguagens. O espetáculo tem 15 apresentações de quinta a domingo, no Espaço Cênico do Sesc Pompeia. Até dia 14 de dezembro.

Ladies, da Inocência à Crueldade faz um diálogo entre o clássico e o contemporâneo. No palco estão Ana Noronha e Gisele Calazans no papel de Ofélia e Lady Macbeth, respectivamente. Os personagens masculinos, Hamlet e Macbeth, aparecem nas vozes do artista Otávio Dantas. Além das atrizes, a VJ Ana Turra opera a câmera de vídeo e reproduz as imagens em tempo real enquanto a trilha é executada ao vivo por Mariá Portugal e Ramiro Murillo.

A encenação acontece sobre um piso vermelho sangue, onde Ofélia e Lady Macbeth recebem cartas. Hamlet declara-se loucamente apaixonado por Ofélia e Macbeth , por sua vez,escreve para revelar que será rei e a sua esposa, rainha.

Depois das correspondências, uma resolve agir, e a outra, por não reagir, é oprimida.

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Ofélia e Lady Macbeth dançam juntas

Ana Noronha, sobrinha de Quito, é bailarina desde os 3 anos. Formada em Dança Contemporânea pela PUC (Comunicação e Artes do Corpo), Ana Noronha dançou até os 14 anos no Cisne Negro Cia de Dança, depois experimentou outras linguagens (contemporâneo e improviso) com o grupo de Ana Catarina Vieira e Angelo Madureira e com a companhia de Diogo Granato. “Pretendia fazer um solo dirigido por Quito, um espetáculo que tivesse uma linha dramatúrgica de teatro”, conta Ana, que já trabalhou com Quito no infantil de dança Coppélias?! e o infanto juvenil O Samba.

Lendo teatro, identificou-se com Ofélia. “A ideia era resgatar um pouco do que eu já tinha feito. Depois do clássico, nunca mais tinha usado sapatilha de ponta”, detalha Ana, que queria saber “como era a ponta depois de tantas influências”. A bailarina se perguntava “dá para dançar na ponta?”.

Ela explica que na pesquisa entenderam que no ballet a ponta tem sintonia com a personagem Ofélia. “Tem a ver com a leveza, a suavidade e a beleza. Em cima da ponta, parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Precisa de força. Machuca mesmo. E a Ofélia é extremamente doce, mas sofre muita opressão”, diz Ana, fazendo um paralelo com o que “a sapatilha de ponta faz com as bailarinas”

Gisele Calazans - que está indicada ao Prêmio Femsa de Atriz Revelação pelo infantil Felpo Silva, direção de Claudia Mussira, em cartaz no Sesc Bom Retiro - também desejava montar um trabalho solo com direção de Quito. Bailarina da Cia Nova Dança 4 desde 2002, começou na dança contemporânea depois de ter estudado jazz.

Chegou a cursar alguns semestres de Artes Cênicas na Universidade de Brasília, estudo logo abandonado por conta de sua mudança para São Paulo com o objetivo de integrar o grupo de Cristiane Paoli Quito. Inquieta e com a vontade de criar um espetáculo mais autoral e solo, Gisele teve o insight de fazer Lady Macbeth quando ela e o marido, Marat Descartes, conversando sobre o que fazer, releram Macbeth.

“Eu me identifiquei com um sentimento sombrio da personagem. O primeiro paralelo entre as trajetórias dos dois textos foi feito por Marat (intérprete de Aldeotas, dirigido por Quito). Conversamos com Quito, que teve a ideia de juntar as duas personagens em um único espetáculo”, afirma Gisele. Assim nasceu o dueto. “Trata-se de um desafio intrigante unir Ofélia e Lady Macbeth.”

“Concebemos para Ana fazer a Ofélia na ponta. Não a ponta da dança clássica, mas sim a utilização com o viés da contemporaneidade”, diz Quito, que desfruta de período sabático na Cia Nova Dança 4, da qual é diretora. “Eu e Marat Descartes partimos para a pesquisa a fim de descobrir o ponto em comum entre as personagens. O sentido da Ofélia como mito é o da inocência e o de Lady Macbeth, o da crueldade”, explica.

Ficha Técnica

Direção Geral, roteiro e concepção cênica: Cristiane Paoli Quito.

Assistente de direção – Lúcia Kakazu.

Criação e interpretação: Ana Noronha e Gisele Calazans.

Dramaturgia do Corpo: Ana Noronha e Gisele Calazans.

Dramaturgia do texto e tradução: Marat Descartes.

Música: Mariá Portugal e Ramiro Murillo.

Figurino: Larissa Salgado.

Preparação corporal: Tarina Quelho, Leticia Sekito.

Consultoria musical: Andrea Kaiser.

Cenário e iluminação: Marisa Bentivegna.

Fotos e Vídeo: Otavio Dantas.

Produção: Núcleo Corpo Rastreado. VJ e Design Grafico: Anna Turra.

Local: Espaço Cênico. Duração: 50 min.

Serviço

Sesc Pompeia apresenta “Ladies – da inocência à crueldade”, no Espaço Cênico. Estreia dia 21 de novembro de 2014, às 21h. Temporada até 14 de dezembro de 2014, quintas, sextas e sábado, às 21h; domingos, às 19h. Ingressos: R$ 12,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 20,00 (usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 40,00 (inteira).

Venda online a partir de 11 de novembro, terça-feira, às 17h30.

Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 12 de novembro, quarta-feira, 17h30.

Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos.

SESC Pompeia – Rua Clélia, 93.

Telefone para informações: (11) 3871-7700.

Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia