segunda-feira, dezembro 01, 2014

Ópera do Malandro, clássico de Chico Buarque


Em cartaz no recém-inaugurado espaço da Cia da Revista.


Em cena,18 atores interpretam 16 canções, com cenário inspirado na poltrona Favela, dos irmãos Campana e figurino todo preto, com referência em Jean Paul Gaultier, Alexander McQueen e Coco Chanel. A peça estreou no CCBB e faz parte do projeto Chico 70, em referência aos 70 anos do autor. A sede da Cia. da Revista fica na Al. Nothmann, 1135, em Santa Cecília. A temporada vai até o dia15 de dezembro; apresentações de sexta a segunda, às 20 h00.

O diretor da Cia da Revista, Kleber Montanheiro, também interpreta Geni, além de assinar o cenário e figurino.

O assunto da peça é conhecido por todos, mas vale lembrar que a prostituição e malandragem e se entrelaçam-se na trama da peça. O poderoso chefão Duran (Gerson Steves) e sua mulher Vitória (Heloísa Maria) são donos de prostíbulo e estão envolvidos em muitas falcatruas, mas tratam a filha Teresinha (Erica Montanheiro) como princesa.

O casal fica desesperado porque a menina está apaixonada por Max Overseas (.Flavio Tolezani/Bruno Perillo), malandro que vive de golpes e quer casar com Teresinha por interesse.

Destaque para a travesti Geni (Kleber Montanheiro), aliada de Max, que ganha uma versão mais criminalizada com a Cia da Revista. "Ela é mais marginal, mais bandida. Nossa Geni é inspirada livremente na personagem Madame Satã, que habitou o Rio de Janeiro, virou filme protagonizado por Lázaro Ramos e vive até hoje na lembrança do povo brasileiro. O figurino atualiza Geni para os dias atuais, criando um visual mais andrógino, entre a masculinidade e a leveza feminina", conta Montanheiro.

A concepção de Montanheiro atualiza a história na medida em que parte da associação da obra com o momento atual do País; assim a histórica não provoca reflexões políticas, mas propõe discussões sobre o indivíduo em seu contexto social.

Òpera do Malandro é uma obra-prima, especialmente para quem admira profundamente Chico Buarque. O texto é uma adaptação de Ópera dos Mendigos, de John Gay, e A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Wei. Estreou em 1978, dirigida por Luís Antônio Martinez Corrêa.

Assistir ao musical é acima de tudo uma oportunidade ímpar para ouvir canções magníficas e conhecer um texto de suma importância para a história do nosso país; uma obra que sempre ganha novas versões no teatro e que foi dirigida no cinema por Ruy Guerra.

Números musicais

Cada número musical é inspirado num momento histórico-teatral. São 16 canções, como na versão original do espetáculo. Entre os destaques: Teresinha e Pedaço de Mim (Erica Montanheiro), O Meu Amor (Natália Quadros), Doze Anos (Flavio Tolezani/Bruno Perillo e Adriano Merlini), Geni e Zepelim (Kleber Montaheiro), Hino de Duran (Gerson Steves), Viver do Amor e Uma Canção Desnaturada (Heloísa Maria). Os atores cantam ao vivo, acompanhados pelos músicos Gabriel Hernandes (violão), Nina Hotimsky (acordeom), Demian Pinto (piano), Chico Filho (sax) e Beto Dodré (percussão). Na releitura da Cia da Revista, o espetáculo privilegia o texto e a música de Chico Buarque. "A nossa versão é mais focada na obra do Chico, na palavra, numa direção mais sintética. O poder do capital, a luta de classes e as relações cordiais entre as personagens também são marcas desta montagem", diz Kleber Montanheiro.

Sobre a Cia da Revista

A Cia da Revista nasceu em 1997 com a proposta de investigar o Teatro de Revista, o diálogo desta linguagem com sua época e suas variantes. A companhia completa em 2014 dezessete anos de atividades ininterruptas e tem em seu percurso 14 espetáculos. Fazem parte do núcleo treze artistas entre atores, assistentes de pesquisa e diretor. Em 13 de Abril de 2009 a Cia da Revista inaugurou o Espaço Cia da Revista, sala MINITEATRO, sede do grupo na Praça Roosevelt. Ao longo desses últimos anos, o Espaço se tornou um polo cultural paulistano que, além das peças da Cia

da Revista, recebe projetos musicais, cursos, palestras, leituras dramáticas e peças de grupos parceiros. Em 2014, o grupo se muda para uma nova sede, mais ampla, na Barra Funda. O processo de criação dos espetáculos da Cia da Revista, resumidamente, pauta-se na criação coletiva e colaborativa de seus integrantes em conjunto com dramaturgos convidados. Dessa forma, a cada parceria e projeto, nasce um texto inédito e particular. O último espetáculo do grupo, Cabeça de Papelão, estreado no primeiro semestre de 2013, teve como dramaturga convidada a artista Ana Roxo, que por esse trabalho recebeu a indicação ao Prêmio Shell de Teatro na categoria “Autor”. Sobre o diretor artístico

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Ficha Técnica

Texto: Chico Buarque.

Direção, cenário e figurinos: Kleber Montanheiro.

Direção musical: Adilson Rodrigues.

Elenco: Gerson Steves – Duran. Heloísa Maria – Vitória. Erica Montanheiro – Teresinha. Flavio Tolezani/Bruno Perillo – Max Overseas. Kleber Montanheiro – Geni. Adriano Merlini – Chaves.Natália Quadros – Lúcia. Pedro Henrique Carneiro – Barrabás. Pedro Bacellar – Big Ben. Paulo Vasconcelos – Johnny Walquer. Mateus Monteiro /Lino Colantoni – Phillip Morris – Phillip Morris. Gabriel Hernandes – General Eletric. Gabriela Segato – Mimi Bibelô. Daniela Flor – Dóris Pelanca. Bruna Longo – Fichinha. Luzia Torres – Shirley Paquete. Nina Hotimsky – Jussara Pé de Anjo. Alessandra Vertamatti – Dorinha Tubão. Iluminação: Wagner Freire. Produção: Cia. da Revista.

Serviço:

Ópera do Malandro

Espaço Cia da Revista – São Paulo. Al. Nothmann, 1135 – Santa Cecília (próximo às estações Marechal Deodoro e Santa Cecília do Metrô). Fone: (11) 3791-5200. Temporada: até 15 de dezembro. Dias: sexta a segunda, às 20 h00. Ingressos: R$ 80,00 (inteira) – R$ 40,00 (meia-entrada). Duração: 180 min. Classificação etária: 12

anos. Teatro: 99 Lugares. Serviço de valet no local – R$ 10,00. Vendas pela internet: www.compreingressos.com