domingo, fevereiro 22, 2015

ENTREVISTA: Atriz Isabel Wilker está sempre em busca do aprimoramento profissional



Isabel Wilker é atriz, modelo, tradutora e apresentadora. Pelo seu sobrenome, já dá para perceber que ela descende de um dos grandes atores brasileiros. Ela é filha do ator José Wilker e da atriz Mônica Torres.

No momento, Isabel está em cartaz com o espetáculo Hora Amarela, que integra o Programa Vivo EnCena e entrou em cartaz em São Paulo, sexta, 20, no SESC Bom Retiro, após temporada de sucesso no CCBB, do Rio. Bel é talentosa e está sempre em busca do aprimoramento pessoal e profissional, tanto que mesmo com as suas atividades no teatro e na área da moda, cursou faculdade de Letras.

Na peça, ela interpreta uma jovem viciada em drogas que pede abrigo num sótão. Lá vive Ellen (Débora Evelyn), que está enclausurada num lugar claustrofóbico porque a cidade de Nova York, onde reside, está um caos, devido a uma guerra devastadora.

O público paulistano já teve a oportunidade de vê-la atuando nos espetáculos A Casa de Bernarda Alba, direção de Elias Andreato, e Brincar de Pensar, infantil com direção de Vanessa Bruno. Na TV, participou da novela Geração Brasil e apresentou o programa Bastidores, no Multishow.

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Entrevista:

A atriz fala sobre a peça Hora Amarela, com destaque para o processo de tradução, a atualidade do texto e o processo de ensaios. Também fala do aprendizado que recebeu dos seus pais com relação ao jeito como encara a profissão.

Nanda Rovere - Como o texto chegou até você? Como foi o processo de tradução, alguma adaptação para a realidade brasileira?

Isabel Wilker - Minha mãe, que é produtora da peça, assistiu à montagem original americana em Nova Iorque. Ela entrou em contato com os agentes do autor e diretor - Adam Rapp - para comprar os direitos da peça. Fiz uma primeira tradução pra gente organizar as leituras e estruturar o projeto. Quando a equipe e elenco se juntaram e começamos a ensaiar, fomos trabalhando o texto, discutindo, experimentando. Todos participaram desse processo, e sempre voltamos ao texto original (em inglês) para tirar qualquer dúvida, fazer correções, etc. Em termos de adaptação para o Brasil, tiramos as indicações específicas de lugares - nomes de ruas e cidades, por exemplo, para que a ação pudesse se passar em qualquer lugar.

NR - O que mais te impressiona na trama - amigos que assistiram no Rio de Janeiro disseram que a peça é arrebatadora)?

IW - Num primeiro momento, pareceu que se tratava de algo mais distante, que teríamos que nos preocupar em tornar a peça menos estrangeira, mas assim que

começamos a trabalhar, percebemos que a peça fala do agora - guerras, terrorismo, conflitos religiosos, escassez de recursos, preconceitos de todo tipo... Mas acho que, para além da sintonia com o momento atual, a peça fala de relações humanas, de esperança, sobrevivência, e também de amor - a protagonista Ellen (Deborah Evelyn) resiste com todas as suas forças ao horror da realidade que a cerca e, apesar de todas as suas perdas, ela não desiste da vida, ela não renuncia a sua humanidade.

NR - Neste sentido, apesar da realidade sombria, os personagens da Hora Amarela são esperançosos. Você é um tipo de pessoa que acredita num mundo melhor? Em poucas palavras, como é a sua visão do mundo hoje, especialmente do Brasil, que está prestes a sofrer com a falta de água e o racionamento?

IW - Eu acho que a vida será sempre assim: terrível e maravilhosa ao mesmo tempo. Não estaremos nunca livres de conflitos, injustiças, crises, - mas assim como a Ellen da Hora Amarela, eu acredito no amor. A nossa realidade aqui no Brasil também é muito sombria: corrupção, pobreza, desigualdade, racismo, homofobia, a falta de água... Acredito que precisamos resistir, mudar - unidos, generosos, solidários e esperançosos. O País precisa desse esforço de todos nós, brasileiros.

NR - A montagem chega a São Paulo depois de uma temporada de sucesso no Rio. Como está a expectativa para São Paulo?

IW - A expectativa para São Paulo é muito grande, toda estreia é especial. Fizemos esse trabalho com muita dedicação e entrega e mostrá-lo para o público é a melhor parte!

NR - Na peça, você vive uma viciada em drogas e os personagens estão em um porão fechado, sem ar. Alguma preparação em especial para esse trabalho?

IW - Foi um grande desafio, mas foi muito bom também. A preparação, no meu caso, envolveu uma pesquisa: quais os efeitos das drogas no corpo, quais os efeitos da abstinência, como segurar uma seringa para se injetar. Mas nosso esforço maior foi o de experimentar uma realidade como essa, proposta pela peça de maneira verossímil, contundente. O elenco precisava estar em sintonia para essa atmosfera chegar na plateia - a tensão, o medo, a desconfiança - queríamos que tudo isso fosse palpável para o público. Então conversamos muito sobre nossas vidas - o que imaginamos, falamos sobre guerras atuais, cada um trouxe referências, livros, filmes. Tudo entrou em debate e discussão; foi importante procurar os caminhos mais difíceis, incômodos.

NR - Como foi o processo de trabalho com a Monique e os colegas de palco?

IW- Já comecei a responder a essa pergunta acima, falando da nossa preparação. Pra mim, foi maravilhoso trabalhar com a Monique e todo o elenco. Aprendi muito com todos, foi um processo muito difícil, mas muito carinhoso, com muita confiança. Sempre conversamos muito, sem medo de discutir e defender pontos de vista - tivemos debates acalorados! A Monique é uma diretora atenta a todos os detalhes, firme, mas muito generosa. Ela sabe e gosta de ouvir os atores, dá abertura pra novas ideias. Percebemos com essa peça que era importante estar atento a tudo, notícias de jornal,

livros, filmes, cenas que observamos na rua. Todo o elenco trocou muitas histórias e experiências o tempo todo.

NR - A sua mãe, a atriz Mônica Torres, também cuida da produção, como você já comentou? Não posso deixar de perguntar qual a influência dos seus pais na sua carreira, no seu jeito de interpretar e encarar a profissão?

IW - Meus pais me ensinaram tudo o que sei sobre ser atriz. Faço o meu trabalho com toda dedicação e respeito que tenho porque foi assim que sempre os vi trabalhando. Leio tudo, estudo muito, não paro de aprender. Tudo é material para o ator, tudo que vemos, ouvimos, lemos e vivemos contribui para o nosso trabalho. Essa foi uma das maiores lições que aprendi com eles: tudo pode ser uma oportunidade para ser um ator melhor. Todo trabalho te ensina algo sobre si mesmo que você não sabia antes, a gente nunca para de aprender a ser ator.



Ficha Técnica:

Texto: Adam Rapp

Tradução: Isabel Wilker

Direção: Monique Gardenberg

Cenografia: Daniela Thomas

Figurinos: Cassio Brasil

Iluminação: Maneco Quinderé

Elenco: Deborah Evelyn, Isabel Wilker, Emílio de Mello, Darlan Cunha, Daniel Infantini e Daniele do Rosário.

Serviço:

Hora Amarela

Estreia 20/02

De 20/02 a 29/03

Teatro do Sesc Bom Retiro - 291 lugares.

Al. Nothmann,185 – Campos Elíseos

Ingressos- valores: de R$ 9,00 a R$ 30,00.

Horário: Sextas às 20h; sábados às 19h; domingos às 18h.

Não recomendado para menores de 16 anos. Duração 50 min.

Acessibilidade: Entrada com acesso para pessoas com deficiência e

mobilidade reduzida. Poltronas reservadas para cadeirantes.

Estacionamento próprio: R$4,00 e R$8,00.

Dica: Isabel e Débora Evelyn no Programa do Jô: http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/deborah-evelyn-e-isabel-wilker-efalam-sobre-o-espetaculo-a-hora-amarela/3826632/

Entrevista antiga, que vale a pena conferir: https://www.youtube.com/watch?v=XC7if81jF5g