terça-feira, fevereiro 24, 2015

Simbad, o Navegante - Circo Mínimo recria a lenda do marinheiro que está na saga das Mil e Uma Noites



Dica de NANDA ROVERE

No palco, palhaços e estruturas de bambu recriam com aventura e poesia, a lenda do marinheiro que desbravou os mares em busca de riquezas e desafios.

Simbad, o Navegante, direcionado ao público infantil, incentiva a imaginação ao usar peças de bambu para representar feras, objetos e personagens.

Foi na obra As Mil e Uma Noites que Sherazade preparou-se para contar ao rei Schahriar a história de Sindbad, o Marinheiro.

Na montagem do grupo Circo Mínimo, dois palhaços é que se transformam em contadores de histórias. Eles compartilham com o público as aventuras do marujo que já teve adaptações para o teatro, cinema (em formato de animação e live-action) e quadrinhos.

Em cena, estão o ator fundador do Circo Mínimo, Rodrigo Matheus (que também assina a dramaturgia da peça) e Ronaldo Aguiar – palhaço, bailarino e acrobata aéreo convidado.

Carla Candiotto, da Cia Le Plat du Jour, responsável pela direção, destaca que trabalhar com os dois artistas foi gratificante porque eles disponibilizaram desde o início as habilidades circenses e cênicas de seus corpos à criação do espetáculo. “O trabalho principal foi equalizar os tipos de atuação dos dois. Rodrigo tem um perfil mais intenso e aventureiro, já o Ronaldo é mais estourado e histriônico. O que priorizamos é a relação forte que há entre eles. Por mais que o personagem do Rodrigo se sobreponha em alguns momentos ao do Ronaldo, centramos o tempo inteiro que um não existe sem o outro, diz.”

No processo de direção um dos maiores desafios foi trabalhar com um cenário já concebido, que chama a atenção pelos enormes bambus que são manuseados pelos atores e que se transformam em barcos, baleias, armas, pássaros e serpentes.

Foi elaborada uma estrutura piramidal com 4m de altura baseada nas criações de Marcelo Rio Branco, que desde 1999 preside o Sistema Integral Bambu, projeto que trabalha o seu uso desde as concepções corpóreas, como o trabalho de ergonomia e equilíbrio; as psíquicas, como a simbologia da planta; e sociais, como econômica, estética e plástica. “Conheci o trabalho do Marcelo por meio do grupo Nós no Bambu, de Brasília”, conta Rodrigo a respeito da inspiração para Simbad, o Navegante.

Adaptação da história de Simbad para os palcos

Para adaptar a famosa história do marujo Simbad, foi utilizada a versão de Mamede Mustafa Jarouche, pesquisador, tradutor e professor universitário da USP, que fez a primeira tradução direta do clássico árabe Mil e Uma Noites para o português. Em sua recriação, o Circo Mínimo manteve o arquétipo peculiar de Simbad. “Ele tem uma paixão pelo desconhecido e não consegue ficar quieto. Simbad está em um lugar e, quando o dinheiro acaba ou quando está entediado, já vai para outro”, conta Rodrigo.

Nos contos originais, Simbad é dividido por duas facetas que representam a dualidade do ser humano. Nesta adaptação, os dois personagens são palhaços contadores de histórias que pretendem encenar as aventuras vividas por ele.

O personagem de Rodrigo Matheus é o tipo mais inteligente e astuto, sempre disposto a ludibriar a sua dupla. Ele quer interpretar Simbad o tempo inteiro e engana o parceiro para que ele nunca tenha a oportunidade de assumir esse papel.

Assim, o palhaço feito por Ronaldo Aguiar fica com a representação das bestas, selvagens e da esposa do marujo, mesmo sempre sonhando em ser o herói, motivação que o move durante o espetáculo.

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Ficha Técnica

Adaptação: Carla Candiotto, Alexandre Roit e Rodrigo Matheus. Direção: Carla Candiotto.

Elenco: Rodrigo Matheus e Ronaldo Aguiar.

Cenografia: Marco Lima (espaço cênico) e Rodrigo Matheus (estruturas em bambu).

Figurino: Olintho Malaquias.

Iluminação: Wagner Freire.

Trilha sonora: Aline Meyer.

Fotografia: Paulo Barbuto.

Administração e Produção: Luciana Marcon. Produção executiva: Mário Lopes. Assistente de produção: Helena Ramos

Assessoria de Imprensa: Arteplural (Fernanda Teixeira).

Serviço:

Simbad, o Navegante. Estreia dia 28 de fevereiro, sábado, ao meio-dia. Temporada: Sábados e domingos, meio-dia. Até 21 de abril (sessão extra no feriado de Tiradentes, dia 21 de abril, terça-feira, meio-dia). Local: Teatro Sesc Pompeia. Endereço: Rua Clélia, 93, Pompeia. Não há estacionamento nesta unidade do Sesc. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia. Ingressos: R$ 17,00 (inteira), R$ 8,50 (credenciado*/usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 5,00 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes). Venda on-line a partir de 10 de fevereiro, terça-feira, às 17h30. Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 11 de fevereiro, quarta-feira, 17h30. Duração: 60 minutos. Recomendação etária: Acima de 5 anos; classificação: livre. Capacidade: 774 lugares.